terça-feira, 15 de julho de 2008

Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho (2006)

Tudo começou com Moulin Rouge, logo em seguida Chicago, agora minha paixão por musicais se completa com Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho. Confesso que quando vi o trailer, achei que seria algo triste de se assistir, por confiarem em duas cantoras para fazerem papéis de grande prestígio. Cara, como me arrependo de ter pensado tal coisa.

O filme é baseado em um musical da Broadway, que por fim é baseado na história do grupo The Supremes, grupo da famosa cantora Diana Ross, de grande sucesso nos anos 60. O grupo começa a carreira fazendo backingvocal do cantor James “Thunder” Early (Eddie Murphy), inspirado em James Brown. Após um tempo, o grupo inicia carreira independente, mas Effie (Jennifer Hudson) é obrigada a ceder para Deena (Beyoncé Knowles) a voz principal, o que faz com que a cantora deixe o grupo. A partir disso, Effie luta para seguir a vida, enquanto acompanha o sucesso de suas ex-companheiras.

Vamos começar com Beyoncé Knowles (Pantera Cor-de-Rosa), que apesar de muitos críticos terem acreditado ser o elo mais fraco do filme, está longe de ser fraca. Como Deena Jones, Beyoncé tem a voz, experiência, olhar e o talento.

Finalmente posso dizer que Eddie Murphy (Dr. Dolittle) é um grande ator. Mesmo seu personagem, James "Thunder" Early, sendo um combo de todos que o ator já viveu (exagerado, grosso e engraçado), posso garantir que foi uma combinação perfeita para ele. Não existe uma veia de emoções vividamente exibidas em seu personagem.

Geralmente quando o filme é tão bom sempre tem um ator que decepciona. Neste caso, Jamie Foxx (Ray) levou o prêmio. Sua presença e desempenho na tela não foram suficientemente bons. Talvez seja a “Maldição de Ray”, algo que acontece com muitos atores, quando fazem sucesso em algum filme, mas depois não conseguem o mesmo prestígio. Exemplo disso seria o diretor do E-X-C-E-L-E-N-T-E “O Sexto Sentido”, M. Night Shyamalan. Ele bem que tenta voltar com outro grande sucesso de crítica, mas com filmes do tipo de “Fim dos Tempos”, o diretor está bem longe disso.

Agora o que realmente trouxe glamour ao filme, Jennifer Hudson! Quem diria que uma cantora do American Idol, odiada por Simon Cowell, que não venceu o programa roubaria o filme todo para si mesma. E como atua! Confesso que me surpreendi e muito com o carisma e audácia que Jennifer deu a sua personagem Effie White. Com a voz estrondosa, Hudson pôs Beyoncé no chinelo. Este filme é totalmente de Jennifer Hudson que merecidamente ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de 2007.

Enfim, as músicas especialmente “Listen”, “Patience” e “One Night Only” fazem o público viajar com o ritmo, letras e emoções que cada um dos atores apresentam. Surpreendentemente dirigido por Bill Condon (“Chicago” e “Deuses e Montros”), este é um filme, que ficará na cabeça das pessoas por muitos anos. Dreamgirls convida você a assistir e a amar cada pedaço deste maravilhoso musical.
Por Jacqueline Gomes

sábado, 14 de junho de 2008

Super-Herói: O Filme (Superhero: The Movie) 2008

O que esperar de um filme de comédia produzido pelos mesmos realizadores de boas piadas como “Todo Mundo em Pânico”? Humor, não é? Pois bem, se essa foi a intenção do diretor/roteirista Craig Mazin, desculpe, mas não aconteceu. Você pode até rir umas três ou quatro vezes, mas só. O pior é que o filme tinha tudo para dar certo, afinal de contas ninguém nunca fez sátiras de filmes de super-heróis. E olha que dá para fazer muita piada baseadas em grandes produções como Homem-Aranha, Batman, Quarteto Fantástico, X-Men, entre outros.

Bom, o erro de Superhero é o seguinte: a piada que já foi contada milhares de vezes, exemplo: o garoto nerd batendo a cabeça milhares de vezes em portas, janelas e paredes, a garota na janela trocando de roupa e, de repente, aparece um homem gordo acariciando os próprios mamilos. Fora outras piadinhas sobre sexo, virgindade e popularidade.

O único elemento interessante é a forma como o texto é usado, parece bem similar aos filmes originais, mas um pouco mais forçado e auto-ajuda.

Mas se você estava querendo ir no cinema com a sua namorada e, de repente, apareceram aqueles seus amigos “porra loka” a melhor opção é ver Superhero, porque com certeza vocês vão acabar rindo das suas próprias piadas e vão acabar satirizando o filme.

por Paulo Mendonça

Trailer

domingo, 18 de maio de 2008

Conte Comigo (Stand By Me) - 1986

Quando se pensa em um filme com crianças numa estrada se divertindo, o que vem a sua cabeça? Filmes da Sessão da Tarde, Disney, Os Goonies? Não quando se trata de Conte Comigo. O filme é baseado no livro do mestre do terror Stephen King “The Body”, mas relaxem! Não tem nada de assustador. E mesmo assim, se for para julgar pelo filme, esta seria a melhor história do escritor (tirando O Iluminado, claro).

O filme fala sobre a aventura de quatro garotos de 12 anos (Wil Wheaton, River Phoenix, Jerry O’Connell e Cory Feldman), com origens familiares diferentes, que decidem ir a uma jornada para encontrar o corpo de uma criança que estava desaparecido, mas nunca foi encontrado. Os garotos acham que se o encontrarem poderiam ganhar fama e fortuna e assim ajudá-los a escapar de suas vidas pacatas em Castle Rock. Conforme a viagem vai rolando os rapazes descobrem coisas sobre si mesmos e percebem que não são tão fortes quanto eles pensavam, e talvez encontrar um corpo não seria exatamente a viagem de suas vidas.

O que diferencia este de outros filmes sobre crianças é que este realmente capta os aspectos da amizade e a vida dura que uma criança pode ter, como um garoto com uma família que o ignora ou um garoto que sente que sua sociedade nunca o aceitaria por ser de uma família “ruim”.

Ótimas atuações não faltam em Conta Comigo. O personagem do saudoso River Phoenix (O Peso de um Passado), Chris Chambers é o líder com uma aura de tristeza que comove quem assiste. Gordie (Wil Wheaton) é o adulto e sensível do grupo e faz uma ótima parceria com River. Corey Feldman (Os Goonies) é perfeito como o chatonildo Teddy Duchamp, um auto-iludido. Jerry O'Connell (Kangaroo Jack), que foi o único a transferir sua carreira para a idade adulta, nos faz rir o tempo todo como o gordo e infeliz Vern.

O diretor Rob Reiner é, sem dúvida, um dos melhores diretores de todos os tempos, ele pegou esses jovens rapazes e os fez chegarem aos seus limites.

O que mais é perfeito sobre este filme? Trabalho de câmera, a narração por Richard Dreyfuss (Poseidon), a participação do caçador de terroristas Jack Bauer (Kiefer Sutherland) que sempre é perfeito como vilão, o uso inteligente da trilha sonora, a atenção aos detalhes e o enredo que faz este filme ser difícil de se cansar, não importando quantas vezes você vai assistir.

Lembrando que este filme é para todas as idades, não importa se você tem 12 ou 80 anos. Tal como Teddy Duchamp diz: "Esta é a minha idade. Estou no auge da minha juventude, e eu vou ser jovem apenas uma vez”. Assista Conte Comigo e reviva a sua juventude.
Por Jacqueline Gomes

terça-feira, 29 de abril de 2008

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) - 1971

É muito difícil julgar um filme como este. Algo frio e violento, ainda pode ser divertido, sarcástico e visionário? Quando se trata de Laranja Mecânica, sim!

O filme conta a história de Alex (Malcolm McDowell), um “alegre” jovem que gosta de estupro, violência e música clássica. Com seus três amigos comparsas apelidados de droogs, Alex passa as noites aterrorizando quem quer que ele possa encontrar. Uma noite, depois de matar uma mulher, ele acaba preso depois de ser entregue por sua própria gangue pegando uma pena de 14 anos. Enquanto na prisão, ele ouve sobre um bilhete grátis para fora da cadeia, e tudo que ele tem que fazer é ser uma cobaia para um experimento científico. Depois de se submeter a uma lavagem cerebral feita por cientistas, Alex volta a civilização como um homem livre e bom. No entanto, a experiência tem alguns efeitos colaterais que não foram destinados, e Alex é deixado desajeitado com o seu passado e suas vítimas querendo vingança sobre ele.

Aqui, o ainda jovem Malcolm McDowell (Evilenko) explora o caráter de uma vida com imaginação vívida e tremenda descrição. Aos olhos do público, Alex DeLarge é desprezível, aterrador, doente e, por fim, uma encarnação mais realista de todos os nossos receios e preocupações. Mas seu personagem não vê a si mesmo como uma pessoa doente. A chave para isso é, na sua narrativa durante o filme, como se ele fosse uma vitima da civilização. McDowell nos dá um exemplo brilhante de qualidade superior de atuação.

O filme, em todo o seu esplendor, é uma experiência provável que jamais se esquece. Seus personagens, seu estilo, seu tema e seu material explícito - todo ele combina com a criação de um maravilhoso conjunto que irá ficar na cabeça de muita gente por muito tempo.

O grandioso Stanley Kubrick tem uma maneira particular de visualizar seus filmes. Laranja Mecânica tem um look totalmente fora do seu tempo, aproximando-se de algum lugar no futuro, e sua seqüência de tortura na qual Alex é regenerado também parece como um filme de ficção científica. Não entanto, não se trata deste tipo de longa-metragem. É realmente difícil de categorizar o tipo de filme por ter um pouco de tudo; sátiras sociais, drama, momentos de comédia e até um musical para uma seqüência de estupro aterrorizante.
Concluindo. Este é possivelmente um dos melhores filmes de todos os tempos. Não existe um diálogo sem sentido. Para não mencionar uma soberba trilha sonora (desde Singin’ In The Rain até a 9ª Sinfonia de Beethoven). Devido à intensa violência, especialmente contra as mulheres, é um filme perturbador e difícil de se assistir. Mas se você faz parte do mundo dos cinéfilos, você deve assistir sem interrupção! Deixe Stanley Kubrick levá-lo sobre o lado emocional cinematográfico de sua vida. E não se esqueça de respirar, certo certo? (assistam ao filme e vão entender)
por Jacqueline Gomes

domingo, 6 de abril de 2008

Buffalo 66 - 1998

Parabéns! É o que eu diria a Vincent Gallo se o encontrasse em alguma esquina em Hollywood. Parabéns pelo excelente trabalho em Buffalo ’66, tanto como ator quanto como diretor.

Bom, para quem não sabe, este filme foi a grande estréia de Gallo na direção de um grande filme, mas não foi o primeiro de sua carreira (segundo o IMDB). O diretor conseguiu mostrar um drama urbano através de uma trajetória quase que em tempo real. A cada minuto do longa sentimos o tempo passando como se estivéssemos vivendo aquela situação conturbada da vida do ex-presidiário Billy Brown (Gallo) e de sua falsa esposa Wendy Balsam/Layla (Christina Ricci).

Quem assistir ao filme vai perceber a ótima sacada do diretor em mostrar uma conversa na mesa sendo mostrada de vários ângulos (o ponto de vista de cada personagem: Billy, Wendy e os pais de Billy, vividos, com louvor, por Angélica Huston e Ben Gazzara).

Mas a cena da mesa não é o único trunfo de Gallo como diretor, vale ressaltar as imagens do passado de Billy entrando em segundo plano por cima da cena atual (técnica não muito usual, que faz toda a diferença). Outros detalhes importantes não merecem ser descritos, apenas recomendo.

Deixando a parte “por trás das câmeras” de lado, vamos falar dos atores e seus personagens, começando por Vincent Gallo, que interpreta o visivelmente perturbado Billy Brown (que no fundo se acha ‘o cara’). Gallo manda muito bem como um anti-herói mal-humorado com seus gritos e “fucks”. Christina Ricci, como a infantil Layla, se mostra bastante esperta ao fingir ser a esposa fictícia de Billy, Wendy Balsam. Angélica Huston está adorável e detestável na mesma proporção na pele da mãe desnaturada Jan, que de tão fanática pelo time de futebol americano Buffalo Bills chega a ser cômica. Já Jimmy (pai de Billy) é um personagem meio mascarado, pois ao mesmo tempo em que se mostra gentil esconde um temperamento agressivo, talvez seja pelo fracasso na carreira de cantor à la Frank Sinatra.

O roteiro, também de Gallo, não é nada de outro mundo, mas agrada pelos seus diálogos confusos e ofensivos. Em muitos momentos o silêncio prevalece e cria-se todo um clima tenso através dos olhares dos personagens. Fora os ‘dois finais’, que não poderiam ser feitos de outra forma (senti uma referência Tarantino no primeiro final).

Sem mais blá blá blá. Vejam Buffalo 66 e entendam o por que do nome do filme que, graças a Deus, não sofreu nenhuma tradução medíocre para o Português.

PS: Foi mal, mas não achei o trailer no youtube nem em site algum. Mas achei duas cenas bem legais:

Cena 1:

Cena 2:

por Paulo Mendonça

segunda-feira, 31 de março de 2008

Transamérica (2005)

O filme é uma excelente comédia dramática sobre a vida real de um ponto de vista diferente. Bree Osbourne (Felicity Huffman) é uma transexual que espera ansiosamente por uma operação que a transforme definitivamente em uma mulher.

A sua vida dá uma inesperada reviravolta quando descobre que é o pai de Toby, um adolescente de 17 anos que lhe pede ajuda para sair da prisão. Sua psicóloga proíbe que ela se submeta à cirurgia sem resolver esse assunto. Ocultando a sua identidade, como uma missionária cristã, Bree parte para Nova Iorque para pagar a fiança e tirar Toby da prisão. Assim tem início uma longa viagem de dois desconhecidos através da América, ambos em busca de seus sonhos.

Num autêntico road movie sobre duas pessoas envolvidas em um relacionamento apreensivo, mas ao contrário de muitos deste tipo, estes são reais, pessoas que dizem mais sobre sua vida do que qualquer seqüência de flashback.

A performance de Felicity Huffman (Desperate Housewives) é uma das melhores que já vi. Na verdade, quem não conhece a atriz, pode pensar que ela era realmente um homem interpretando uma mulher transexual.

Já o ator Kevin Zegers (de o medíocre Madrugada dos Mortos) interpreta Toby com um jeito mais sossegado, mas intenso. Talvez se trabalhasse em filmes do mesmo ritmo que este, ele poderia ser o próximo Leonardo DiCaprio. Sua atuação lembra muito o ator no filme Diário de Um Adolescente.

Enfim, Toby e Bree são como almas gêmeas à espera de descobrir um ao outro, ironicamente como pai e filho, uma vez que este filme traz a uma maravilhosa conclusão.

É surpreendente não se impressionar com este filme independente de baixo orçamento. As definições, cinematografia, atuações. Um excelente trabalho para todos os envolvidos.

Os créditos para apresentar este filme pertencem a coragem de Duncan Tucker, que escreveu um belo roteiro e, em seguida, dirigiu com amor e compreensão um tema espinhoso e capcioso.

Por Jacqueline Gomes

Onde Mora o Coração (Where The Heart Is) - 2000

Chick Movie: “ou filmes de garotas, são filmes de comédia romântica, proibida para meninos, com direito a lágrimas totalmente sem culpa”. E é isso que Onde Mora o Coração nos mostra.

Baseado no romance de Billie Letts, o filme conta a história de Novalle (Natalie Portman), uma jovem grávida de 17 anos, que depois de ser abandonada por seu namorado “loser”, acaba morando por seis semanas dentro de um supermercado. Após o nascimento da criança dentro do estabelecimento, a garota torna-se uma celebridade nacional. É então que uma jardineira da cidade (Stockard Channing) e seu amante passam a cuidar da jovem e de seu bebê. E imediatamente somos introduzidos a toda uma série de personagens vívidos.

Ashley Judd (Alguém Como Você) é a enfermeira ultrafértil Lexie, que cria seus cinco filhos sozinha, sempre a procura de seu príncipe encantado, mas toda vez acaba abandonada e grávida. Com seu jeito livre e espontâneo a atriz acrescenta mais um ótimo trabalho ao currículo.

Stockard Channing (Da Magia a Sedução) foi maravilhosa como a excêntrica Sister Husbend, sempre pedindo perdão a Deus pela a “fornicação” cometida entre ela e seu amante. Seu papel foi peculiar e encantador.

James Frain (Titus) interpretou Forney Hull de um jeito muito sólido e agradável. Ele pode não ser um colírio para os olhos, mas seus olhos de cachorrinho sem dono fazem dele o perfeito galã para o filme.

Uma participação especial que chama muita a atenção é a de Sally Field (Olho por Olho). Durante os poucos minutos em que aparece, esta brilhante atriz faz com que o público ria e a odeie ao mesmo tempo.

E por fim, Natalie Portman (Closer – Perto Demais). Foi seu melhor trabalho até agora. Ela foi extremamente eficaz com o elemento emocional, e provocou uma grande simpatia e admiração pela sua resposta à sua situação desesperada.

O filme funciona devido a um ritmo constante, o enredo é bem escrito, é maravilhosamente filmado, e é extremamente bem escalado em questão de atores. A história é aquela que o levará em uma viagem através das profundezas do seu coração e alma, e acabam em sua cabeça com a mensagem de que "Onde Está O Coração" é um filme muito bom.

Por Jacqueline Gomes
Obs: Devido a comentários de amigos machistas que lêem este blog, aqui vai a explicação... O filme é um chick movie, mas que também pode ser assistido por homens.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

Cinema nacional com cara de estrangeiro. Tudo isso graças a excelente fotografia e direção de arte, além da competência de Cao Hamburger, de Castelo Ra-Tim-Bum (1999), na direção. Pode parecer, talvez pelo nome e cartaz, que se trata de um filme infantil, mas o drama protagonizado pelo jovem Mauro (Michel Joelsas) é de longe feito para crianças, pelo contrário, é bem sério.

Para aqueles que não gostam de filmes parados “O Ano” não é o mais recomendado. Cao quis mostrar através das imagens toda a angustia e tédio de Mauro ao longo dos dias em que ficou (sozinho) na casa de seu avô. Acontece que os pais de Mauro, interpretador por Simone Spoladore e Eduardo Moreira, são comunistas e resolvem se esconder durante uns tempos e diz ao filho que vão tirar férias. O garoto é deixado na porta da casa do avô (vivido por Paulo Autran), só que a essa altura o avô já havia falecido. Eis que Mauro passa a viver com um velho judeu, vizinho de seu avô, chamado Shlomo (Germano Haiut) e por outros vizinhos também.

A história se passa nos anos 70, época da ditadura militar e ano de copa do mundo. No pacato bairro de Bom Retiro, em São Paulo, Mauro conhece alguns personagens que irão marcam sua vida para sempre, como a esperta Hanna (a atriz mirim Daniela Piepszyk), a bela Irene (Liliana Castro), o goleiro negro (namorado de Irene), com quem descobre que seu destino era ser goleiro também e o comunista Ítalo (Caio Blat).

Vamos a crítica. “O Ano” não chega a ser cansativo, mas faz seus 110 minutos parecerem 150. Fora as cenas dos jogos do Brasil na copa que são um pouco repetitivas demais. Tirando isso o filme é ótimo, pois mostra uma época dura e cruel narrada e vista pelos olhos inocentes de um menino de 12 anos.

por Paulo Mendonça

Veja o trailer

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Réquiem Para Um Sonho (Requiem For A Dream) - 2000

É difícil saber o que dizer sobre Réquiem Para Um Sonho. As seqüências, em que os protagonistas são efetivamente destruídos pelas suas dependências, parecia desencadear um surto de respiração pesado. O filme nos faz ficar sem dizer uma palavra a respeito.

As atuações são surpreendentes. Jennifer Connolly (Uma Mente Brilhante) dá o melhor desempenho da sua carreira e permanece incrivelmente linda mesmo drogada com a sua heroína. Jared Leto (O Senhor das Armas) dá um show de interpratação como Harry Goldfarb, um homem vivendo há um centímetro de sua vida, sempre em busca de uma solução (através das drogas). O ator é perfeito como o infeliz Harry – exalando sempre um ar de incompetência, mas que acabará por destruí-lo. Em Réquiem, o personagem sofre a mutilação de sua vida. Marlon Wayans (As Branquelas) é igualmente brilhante – o que é espantoso comparando com os outros filmes que o ator fez. Ele mostra que pode perder o seu lado cômico se necessário, para retratar um garoto aprisionado no corpo de um homem.

Com Ellen Burstyn (O Exorcista) não foi diferente. Nunca uma atriz foi tão injustamente defraudada por ficar fora de um Oscar. Ela é apenas o retrato da tristeza por todo o filme, através da solidão. As melhores cenas do filme são graças a sua brilhante atuação. Seu desempenho como a mãe de Harry, uma viciada em televisão, açúcar e, eventualmente, pílula para emagrecer mostra que ela assume o papel de Sarah Goldfarb com entusiasmo.
Finalmente, a direção de Darren Aronofsky (A Fonte da Vida), foi no mínimo brilhante e enfática. Palavras não são suficientes para descrever o seu trabalho. Uma obra prima de todos os elementos em que o filme deixa uma impressão profunda, de fato, uma enorme cicatriz.

Esta brilhante obra de arte nos faz acreditar que o filme é um instrumento importante para nos ajudar a compreender a nós próprios e que apenas irá atingir a autoconsciência por canalização absoluta das profundezas do desespero e da autodestruição. Enfim, você deve assistir Réquiem Para um Sonho.

por Jacqueline Gomes

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Across The Universe (2007)

Eu não vi todos os musicais já feitos no cinema (pra falar a verdade... não muitos). Mas, não tenho tanta certeza que qualquer um deles irá superar Across The Universe. E olha que até hoje Dançando no Escuro (2000) era o meu favorito.

Este filme é jovem, mágico e surreal. Não é só um grande elenco e uma direção fantástica, é uma combinação de personagens encantadores com cenários fantasiosos e muita, mas muita música boa (a trilha sonora é composta por canções dos Beatles).

Evan Rachel Wood a cada dia amadurece e se mostra uma grande atriz (por ser muito jovem ela ainda não faz papéis muito adultos, mas em Across já senti a imagem colegial dela indo embora). E neste filme, coincidência, ou não, você encontra vários astros do rock disfarçados de meros mortais como, por exemplo, Janis Joplin _ aqui na pele da roqueira Sadie (Dana Fuchs) _, Jimmy Hendrix _ como o guitarrista Jojo (Martin Luther) _ e, posso estar enganado, mas senti uma “nada coincidência” na personagem Prudence (T.V. Carpio) _ seria ela Yoko Ono?_, e o rebelde Max (Joe Anderson)? Seria Kurt Cobain dos anos 60? Tem até Bono Vox atacando de ator. A única coisa não tão boa é que o protagonista Daniel (Jim Sturgess) ficou meio deslocado com tantos coadjuvantes interessantes.

Lógico que haverá milhares de críticos comparando o filme com outras obras (como Fab Four – que nunca ouvi falar, logo não posso fazer um paralelo de ambos). E dizendo que o filme é isso e aquilo, mas acho que a diretora Julie Taymor quis mostrar o poder da música, que a música marca vidas, épocas, momentos inesquecíveis e eu, particularmente, acredito que ela conseguiu expressar tudo isso no longa.

Enfim, pense o que quiser, Across The Universe é um musical cheio de coreografias originais e o melhor, o filme é moderno, tem uma linguagem atual (mesmo sendo um retrô).

Até agora não inventaram nenhum título nacional ridículo (como MeninaMá.Com (2005). Bons filmes não merecem sofrer essa agressão lingüística.

Conselho: Baixe, ou compre (aham), a trilha sonora do filme. Até no Big Brother Brasil está tocando as musicas da trilha.

por Paulo Mendonça

Veja o trailer